Beber para celebrar a arte

Para quem gosta de arte e quer uma desculpinha para levantar os canecos em datas especiais, segue abaixo um pequeno calendário com as principais datas comemorativas em homenagem às artes.

Janeiro

- Dia 08 -> Dia Nacional da Fotografia. Por que o dia 08 de janeiro?

Dizem que no dia 08 de janeiro, mais especificamente no ano de 1840, chegou ao Brasil o “daguerreótipo” – o primeiro processo fotográfico feito sem uma imagem negativa e criada pelo francês Louis Daguerre. Quando a novidade chegou ao Rio de Janeiro, o imperador D. Pedro II saiu fotografando imagens de paisagens e pessoas, o que faz dele o primeiro fotógrafo brasileiro, apesar das controvérsias. Para os amantes da fotografia, existe ainda o Dia Mundial da Fotografia, comemorado no dia 19 de agosto. Para saber mais, clique aqui.

- Dia 15 -> Dia Mundial do Compositor. Por que o dia 15 de janeiro?

Nenhum registro foi encontrado. Ajude o Arte sim senhor! Alguém sabe por que o dia 15 de janeiro é o dia mundial do compositor?

- Dia 30 -> Dia Nacional das Histórias em Quadrinho. Por que o dia 30 de janeiro?

A data foi escolhida porque no dia 30 de janeiro de 1869 saiu a primeira publicação de  As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte, de Ângelo Agostini, o pioneiro dos quadrinhos brasileiros.

Março

- Dia 14 -> Dia Nacional da Poesia. Por que o dia 14 de março?

A data foi escolhida para homenagear um dos maiores poetas do Brasil, Castro Alves, que nasceu no dia 14 de março de 1847. Seu maior feito foi a luta contra escravidão, tanto é que seu poema de maior sucesso é Navio Negreiro.

- Dia 27 -> Dia Mundial do Teatro. Por que o dia 27 de março?

No dia 27 de março de 1962, foi inaugurado o Teatro das Nações, em Paris. A casa foi fundada e organizada pelo Instituto Internacional do Teatro e como a inauguração foi um marco, a data ficou registrada como o Dia Mundial do Teatro.

Abril 

- Dia 15 -> Dia Mundial do Desenhista. Por que o dia 15 de abril?

No dia 15 de abril de 1452, nasceu Leonardo Da Vinci, um dos pintores e inventores mais famosos no mundo todo.

- Dia 20 -> Dia do Disco. Por que o dia 20 de abril?

A data foi escolhida, por ser o dia do aniversário da morte de Ataulfo Alves. Mas quem foi Ataulfo Alves? Este cara foi um dos mais importantes compositores e sambistas brasileiros. Ele compôs músicas para importantes nomes, como Carmem Miranda, e teve parceiros de renome, como Mário Lago. Quer saber mais? Acesse o site MPBnet.

Maio

- Dia 08 -> Dia do Artista Plástico. Por que o dia 08 de maio?

No dia 08 de maio de 1850, nasceu Almeida Junior, pintor e desenhista brasileiro, que ficou famoso por retratar o tema regionalista em sua fase madura. Quer saber mais sobre sua obra? Clique aqui.

- Dia 18 -> Dia Internacional dos Museus. Por que o dia 18 de maio?

Comitê Internacional de Museus (ICOM) instituiu a data com o objetivo de chamar a atenção da sociedade e do público para a importância dos museus.

Junho

- Dia 19 -> Dia do Cinema Brasileiro. Por que o dia 19 de junho?

A data foi institucionalizada por uma história que pode ser, na verdade, uma lenda. Acredita-se que em 19 de junho de 1898, o italiano Afonso Segretto chegou ao Brasil e filmou a Baía da Guanabara com uma câmera que trazia na bagagem. A existência do filme até hoje é contestada e, de fato, o rolo nunca foi exibido publicamente. Mesmo assim, desde a década de 1970, o dia 19 de junho é considerado o Dia do Cinema Brasileiro. A despeito disso, foi no dia 08 de julho de 1896, no Rio de Janeiro, que houve a primeira projeção pública de um ‘filme’, feita pelos Lumière, que utilizaram um omniógrapho. O sucesso da exibição foi tanta que o empresário Pascoal Segretto, irmão do Afonso Segreto, inaugurasse a primeira sala do Brasil.

Julho

- Dia 25 -> Dia do Escritor. Por que o dia 25 de julho?

No dia 25 de julho de 1960, após a realização do primeiro Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores, foi criado o dia do Escritor no Brasil.

Agosto

- Dia 12 -> Dia Nacional das Artes. Por que o dia 12 de agosto?

A data foi institucionalizada no ano de 1931, com  o objetivo homenagear a fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, hoje Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ. A escola foi criada pelo Rei D. João VI, no dia 12 de agosto de 1816.

- Dia 24 -> Dia dos Artistas. Por que o dia 24 de agosto?

A data foi escolhida para homenagear  João Caetano, fundador da primeira Companhia Dramática Brasileira e que morreu no dia 24 de agosto de 1863. Além de ator, ele escreveu livros sobre a arte de representar, bem como fundou escolas de arte dramática.

Novembro

- Dia 20 -> Dia do Músico. Por que o dia 22 de novembro?

No dia 22 de novembro é comemorado o dia de Santa Cecília, a padroeira dos músicos.

E o que ficou de fora? Lembra de alguma data especial e que foi esquecida neste singelo calendário? Indique ela nos comentários.

Para finalizar, uma ressalva: algumas das datas possuem mais de um dia para serem comemoradas. Por isso, caso se espante com alguma coisa, nos diga. Sua sugestão é bem-vinda, afinal, o que vale mesmo é a intenção de celebrar a arte e nada mais.

Quando falamos sobre literatura…

… a conversa flui e as pessoas se sentem melhor.

Foi assim hoje, na oficina ministrada pelo professor doutor Ildo Carbonera.

“A Palavra: do Dicionário a Machado de Assis” pode ser chamada também de um bate papo enriquecedor sobre o mundo da Literatura. A gente sabe quando a pessoa ama a arte literária. A conversa flui e, principalmente, conhecemos títulos novos, que despertam a curiosidade e nos secam de vontade de ler.

Você já leu Cartas a um Jovem poeta ? Ou Adeus às armas ? Eu não, e quero ler agora. Descobri que na biblioteca tem os dois ali, bem pertinho da gente, nos esperando.

Voltando à oficina: não é incrível o mundo das palavras? Do texto literário? É sim.

A possibilidade de usarmos uma mesma palavra em diferentes contextos é espetacular. Poucos escritores conseguem deixar um texto mais bonito, usando esse recurso. Alguns considerados ‘grandes’ nem se importam com isso, pois o leitor é subestimado e mesmo ignorado. Eu poderia citar exemplos. E eu vou: Paulo Coelho é um desses. E, conforme foi comentado hoje, o esquecimento se encarregará disso. E não é modinha não. Não é só porque tá moda odiar Paulo Coelho que eu desdenho tudo o que venha dele. Pense você o que quiser. Deixe um comentário a respeito. Quem sabe conversamos sobre isso em um bar por aí.

Para exemplificar e resumir o que houve durante a oficina, o Poema do Nadadorde Jorge de Lima:

“A água é falsa, a água é boa.
Nada, nadador!
A água é mansa, a água é doida,
aqui é fria, ali é morna,
a água e fêmea.
Nada, nadador!
A água sobe, a água desce,
a água é mansa, a água é doida.
Nada, nadador!
A água te lambe, a água te abraça
a água te leva, a água te mata.
Nada, nadador!
Senão, que restara de ti, nadador?
Nada, nadador.”

Durante a oficina, houve um sorteio dos livos escritos pelo ministrante. Algumas pessoas saíram mais felizes da Fundação Cultural.

A oficina faz parte da programação do Salão Internacional do Livro, que começou ontem, dia 04/05 e vai até o dia 13/05. Durante o evento, várias palestras, oficinas e apresentações artísticas e culturais serão realizadas.

Amanhã, será o Lançamento do livro Imigração Italiana: da Cuccagna ao Google Earth, também do Ildo Carbonera. Em seguida, o escritor vai cantar Raul Seixas.

Escritores e artistas como Luiz Ruffato, Eric Nepomuceno e Erasmo Carlos são alguns destaques do Salão esse ano. É isso por hoje. Quem quer saber mais sobre o evento, é possível pesquisar no Google.


É tudo uma questão de gosto… ou não

Dizem que gosto não se discute. Ou que gosto é que nem braço, uns têm, outros não…

O post de hoje tenta convencer que as duas afirmações estão erradas. Vamos aos argumentos.

Primeira questão: o que é bom gosto?

De tão difícil que é a pergunta, não achei nada no Google. Pois é, poucos se arriscam a definir o ‘bom gosto’. Por isso, acredito que existem “níveis de gosto”.

O primeiro nível seria aquele que corresponde ao gosto popular: pessoas que curtem apenas o que passa na TV e o que toca nas rádios. Gente que não gosta de ler livros e que acha que arte é coisa de gente chata.

Algumas dessas pessoas não podem ser vistas como de ‘mau gosto’. Isso diz respeito a classes sociais e não quero levar a conversa pra esse lado. Outras, porém, simplesmente querem curtir a vida e não estão nem aí se existe uma banda ou um músico que cante melhor que o Luan Santana ou o Latino.

Essas fazem questão de dizer que arte é coisa de gente chata e viram os olhos quando alguém fala de Machado de Assis ou qualquer outro autor que não esteja na lista dos mais vendidos.

Esse grupo de pessoas tem duas alternativas: correr atrás e descobrir verdadeiros artistas, aqueles que escrevem/cantam música de verdade ou que são autores de bons livros ou que fotografam, pra então decidir se gostam ou não. Se gostarem: parabéns! Se não, elas devem dizer o porquê. Se o motivo for ‘eu não entendi nada’ ou ‘achei muito difícil’, o problema não está no artista, meu caro.

O segundo nível de gosto seria o correspondente ao que chamamos de ‘cult’. Essas pessoas assistem filmes, seriados e programas de TV que poucas pessoas assistem. E detestam tudo aquilo que o primeiro nível gosta.

E é aí que vem a controversa: só porque é popular, é uma porcaria. E, por curtirem coisas que a massa não curte, os ‘cults’ acham que podem ser considerados verdadeiros críticos e julgar o gosto alheio.

Sou totalmente contra a esse grupo de pessoas por inúmeros motivos, abaixo três deles:

- Primeiro, quem é você pra dizer o que é ou não de bom gosto?

- Segundo, o que é popular pode ser bom também. Aliás, é o hit que nos faz conhecer o lado B de qualquer músico ou o longa campeão de bilheteria que nos faz conhecer bons diretores. Então porque odiar ou repudiar o que se tornou popular?

- Terceiro, bons livros, boas músicas e bons filmes nem sempre estão disponíveis e, muita gente, por causa disso, fica de fora. Então não me venha com “Como assim, você nunca ouviu essa música ou não conhece essa banda ou não viu esse filme? (virada de olhos)”

O terceiro nível de gosto é aquele que quero atingir e que as pessoas deveriam querer atingir: o intelectual. Dificilmente, jovens podem ser intelectuais. O usual é que se chegue a esse nível depois dos 30 ou 40 anos e, se (se), a pessoa ler demais, estudar muito e tiver grande amor pela arte. Um intelectual de verdade jamais vai menosprezar alguém que nunca tenha lido ou assistido ou ouvido um clássico. Ao contrário, ele vai querer compartilhar e mostrar que o livro ou o filme ou a música em questão é realmente bom e porque.

E tudo isso sem ser esnobe ou inconveniente. Esse sim tem bom gosto e faz questão que as outras pessoas comecem a gostar da verdadeira arte.

Concluindo: existem pessoas de mau gosto, aquelas que querem ter bom gosto e as que já são de bom gosto. Eu sou do tipo que quero ter bom gosto um dia. Tenho muito que aprender. E você?

PS.: Tenho muito ainda a falar sobre esse assunto, mas vamos por partes.

A arte literária está morrendo?

Existem diferentes tipos de arte. E a literatura é uma delas.

Infelizmente, assim como a música, a arte literária é vista e tratada erroneamente pelas pessoas. O comércio, as instituições de ensino e o povo veem a literatura de forma distorcida, o que faz com que ela perca a sua essência.

O comércio vê a arte literária como um ganha pão rentável. O mesmo acontece com a música. Livros e canções são comercializadas a esmo, sem que a arte possa desempenhar seu papel.

Mas, de quem é a culpa? Da sociedade como um todo? Dos artistas? Da população? Todos têm a sua parcela de culpa e a explicação para isso deveria ser encontrada em uma longa discussão, com pessoas que entendem do assunto expondo seus pontos de vista, fatos e argumentos.

Já as instituições de ensino tratam a literatura como a negação da arte. Os professores, tanto do nível superior quanto dos níveis fundamental e médio, insistem em usar o texto literário para ensinar regras gramaticais, interpretação e ortografia. Fato este que pôde ser comprovado na universidade e em leituras, como A Literatura em Perigo, do Todorov.

Sim, literatura e língua possuem elos vitais, mas podem ser tratadas separadamente, não podem?

Ao olhar um quadro, por exemplo, precisamos entender as técnicas utilizadas pelo pintor? É necessário entender sobre a mistura de cores e saber sobre tonalidades diferentes? Quando ouvimos uma música, devemos conhecer os diferentes acordes e como funcionam os instrumentos utilizados?

Se a intenção é apenas contemplar a arte e extrair dela o que nela há de melhor, a resposta é NÃO, não precisamos de nada disso. A não ser que queiramos nos tornar músicos ou pintores. Aí sim, tais informações e aprendizados são fundamentais.

Então, pergunto: o que as instituições de ensino querem ensinar? A ideia é transformar o aluno em um escritor? Não, não é nada disso. O objetivo, até onde eu sei, é formar e criar leitores ou, no caso de graduações, formar pessoas que saibam criar leitores.

É por isso que acredito que os institutos educacionais negam a função artística da arte.

E o povo, como o povo considera e lida com a literatura? A maioria não considera, nem lida. Mas a população, de modo geral, é a menos provida de culpa na situação e no rumo que as artes estão levando.

Vítimas, talvez as pessoas sejam vítimas de todo um processo que está lutando para acabar com a relação entre ser humano e arte, fazendo com que ela perca sua essência, que é desconhecida por muitos, infelizmente.